A moment to
visit our relatives but also for the sake of the wonderful quality and taste of the food,
to feel the not so simple and hard rural life, to experience the unpolluted fresh
air and wonderful landscapes, to feel and appreciate being alive again…
The nostalgia
has nothing to do with it. It is not only a question of revival excitement or
visiting relatives. It is much more than that. I remember my father saying that
it took at least 8 hours driving in the 50’s to reach his small village just to
visit his parents,aunts, sister and old friends. Today we can easily afford to reach
his village in less than half that time.
I keep escaping
to his small village in every opportunity and I keep doing that for the
last 20 years. Living in the city brings to our memory a lot of good things but
all those good things are accompanied by the rush-hour traffic, polluted air, struggling
waves of people in a relentless daily schedule, too much stress and a lack of
time to breath calmly. People dream about some leisure time which most can not
take it. Most people do not even take a rest moment to enjoy a simple meal. Racing
this fast is just the standard for most people living in the city. Some are so emerged
in the city’s way of living that simply can not stand the idea of slowing down.
They do not know what they lose.
The following
marvelous splendours are meant to put a marvel smile on your face. Sorry for not
translating them to english. That will take some precious time that I prefer a
thousand times to spare for my trips to the small village.
Voltar à
aldeia
As belas enfeitiçadas cerejas da
tia (tão rijinhas e doces que ninguém lhe conhece a variedade), o gigante
figo-rei, o guloso figo pingo-de-mel ou o raro figo do paraíso que mais tarde
se transformam em figos secos, companhia ideal para as doces amêndoas ou nozes
da aldeia, tudo regado com o doce e inconfundível vinho do Porto caseiro. E por falar em vinho,
ai rica vindima e ricas pomadas perfumadas com castas tão Bacas que nos deixam
a sonhar. Depois há as castanhas (cruas, assadas, fritas ou cozidas), as romãs,
as maçãs bravo-de-esmolfe, as pêras gigantes bêbedas, as ameixas, amoras
docinhas, os medronhos e os dióspiros, delícias que a par dos cogumelos frades e
o melhor mel do mundo nos deixam nas sete quintas e deliciam e caramba, que gostura os também
inesquecíveis queijos de cabra frescos ou os raros muito rijos, o típico cabrito assado, a marrã (que pedaços de carne tão saborosos), a galinha do campo, as favas tenrinhas com bacon frito, as ervilhas tortas estufadas, o javali e tudo regado com o melhor azeite extra
virgem do mundo, Mas há mais ainda: a papa de abobrinha, uma arrojada, deliciosa e simples sopa de cebola caseira, os moiros e chouriças ou o raro coelho e lebre
bravos fritos, a perdiz selvagem com molho de vilão, a rola ou o pombo bravo
trocal no churrasco. É um sem fim de delícias. Para não falar no excelente sabor de uma simples couve, alface ou cenoura, das deliciosas favas, do sabor do feijão, cebola, alho, tomate, pimento ou batata. E sem poder deixar passar as maravilhosas bôlas caseiras, as deliciosas e irresistíveis fritas quentinhas (as da foto - na cidade chamam-lhe filhós), o pão de centeio ou trigo ou mistura cozido no
forno de lenha...e é melhor não continuar...
Sim, estou um bocadinho cansado
das comidas "chiques" da cidade: das quiches, dos tipos caros gourmets, dos xerens,
dos crepes e kebabs, dos chinos e suchis, dos hambúrgueres e cannellonis, dos tofus, dos tacos e linguines até aos papillotes, tortellinis e cassoulets…, como se já não
bastassem as pizzas, os scones, as panquecas, francesinhas, picanhas e
maminhas..., chiça para estas modernices da cidade, será que o nosso delicioso
prego, bifana ou cachorro da avó se perdeu por entre tanta estrangeirice ...como se os verdadeiros petiscos tivessem que soar com nomes mais estridentes ou vir de fora. Posso até compreender a cozinha de autor, a cozinha gourmet, as
origens francesas, italianas, brasileiras, asiáticas, africanas e americanas, mas caramba,
estou farto de provar tão fraca qualidade para chegar à conclusão que vale mais
qualquer prato confecionado com produtos da aldeia da nossa cozinha tradicional portuguesa que toda a catrefada daquelas modernices. Os nomes podem até ser
sonantes, mas não conseguem enganar o bom gosto, nem o bom e verdadeiro
paladar. A distância de qualidade dos produtos caseiros é tão imensa que clama e encanta não só o palato como todos os outros nossos sentidos.
Passo cada vez mais tempo na
aldeia e a minha vontade era um dia destes não voltar à cidade.
